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  • César Övalle

O AMOR MACHUCA DEMAIS

Ontem, dia 10 de Novembro de 2021, saiu o novo single do Vitor Kley. Pra quem não conhece ele de nome, com toda certeza já deve ter ouvido pelo menos uma música dele, talvez aquela em que tem alguém pedindo pro Sol não esquecê-lo... pois é. Enfim, apresentações à parte, vim falar desse novo single dele entitulado "O Amor Machuca Demais" - aliás, alguém discorda desse título?


A música é a primeira a ser lançada de uma nova fase, algo mais puxado pro rock e praticamente quase nada de violão - que era até então sua marca. A música remete muito ao rock dos anos 2000, onde também aquela fase emo explodiu aqui no Brasil, e então nada mais justo do que no clipe do single ter convidados especiais, nomes expoentes dessa fase como: Di Ferrero e Daniel Weksler (NX ZERO), Lucas Silveira (FRESNO) e uma grande figura da MTV naquela época, a ex-VJ Marimoon.


Eu não sei se foi um caso pensado ou não a minha convocação pra trabalhar com esse time, mas acredito que de certa forma sim, e então fui escalado para fazer as fotos de making of do clipe e também de divulgação / capa e afins. Rapidamente eu aceitei, com um breve calor no coração, afinal de contas, eu vivi literalmente o auge dessa fase.


Antes de acertar tudo, pedi o briefing, a música e tudo mais para que eu pudesse entender o que tava rolando e o que poderia surgir disso, e aí, com o material que me foi enviado, eu já estava convicto que seria um belo dia para encontrar toda essa galera e que sairia coisas muito legais.

Fazia mais de 2 anos que eu não encontrava esse povo (ou mais, bem mais) e, para quem me conhece, sabe que pelo menos dois da lista ali são grandes e eternos amigos.


A ideia final da capa surgiu no dia da gravação mesmo, em uma troca de ideia de 2 minutos no máximo com o Vitor - assim que ele chegou no set. Ele já tinha essa ideia de querer que a capa fosse resultado da última cena do clipe, mas até então seria algo com ele no chão todo machucado (como é no clipe mesmo), mas eu dei a ideia de que pra mim ficaria melhor (inclusive esteticamente) se fosse ele sentado na mesa dos próprios professores dele do clipe, com um jaleco de um deles no ombro, ou seja, dando a entender de que as aulas que ele tava tomando surtiram tanto efeito que no fim ele conquistou o lugar - conseguiu ser aprovado e porque não, de hoje em diante, poderá ser também um dos mentores para uma futura geração, não é? E assim foi...


Eu tinha chego lá por volta das 9h da manhã e saí mais ou menos umas 23h30 - sim, é sempre cansativo. E pense, a foto da capa seria no fim de tudo, ou seja, com o artista já cansado, com todo mundo já cansado - inclusive eu - mas é assim que funcionam as coisas na maioria das vezes. Cansei de fazer isso na vida, e todas as vezes que fiz, foram iguais.


Como a estética era anos 2000, eu pensei em fotografar boa parte daquilo em filme mesmo, usando a fotografia analógica - e assim foi.

Falando de equipamentos, a parte digital eu fiz com duas Fujifilm (X-T3 e X-T30), e a parte analógica eu usei uma Canon EOS 1000FN (filme 35mm) e uma Mamiya 645 PRO (médio-formato, filme 120).

Os filmes utilizados foram um FUJI X-TRA 400 (35mm) e um KODAK PORTRA 400 (120). Todos os filmes revelados e digitalizados pelo meu laboratório preferido nesse Brasil, o Lab Lab de Curitiba (Obrigado Vitor pela urgência em entregar tudo, pois o prazo era muito curto - como sempre).


Com esse equipamento disponível, usei boa parte do making of somente as digitais, dando preferência para duas lentes (56mm 1.2 e 23mm 1.4) e as analógicas guardei para registrar mais os momentos da capa ou possíveis momentos que poderiam gerar uma alternativa para a capa também.

Na Canon (analógica) eu usei 100% do tempo a lente 35mm 1.4 Sigma ART e na Mamiya foi uma 80mm 2.8 (que fazendo o cálculo para um sensor full frame seria como se estivesse usando uma 50mm).

Não sei se todos sabem, mas um filme 120 em uma câmera 6x4.5 faz apenas 15 clicks, então era isso que eu tinha separado para a capa do single: 15 clicks. (Obviamente que acabei fazendo um ou outro clique com a 35mm e também com as digitais, pra poder assegurar qualquer imprevisto, mas a intenção era de que o click final da capa saísse da médio-formato mesmo, por questões de estética).


Um ponto interessante disso tudo é que eu tinha acabado de pegar essa Mamiya e nunca tinha fotografado com ela, peguei ela exatamente no dia anterior e não tinha testado nada pra valer com ela - pois não tive tempo hábil. Então, por isso também, não deixei de fotografar com as outras câmeras porque sabia que alguma coisa poderia dar errado sim, afinal de contas, é uma câmera antiga e que a manutenção é sempre necessária, sem contar também que você está lidando com um processo analógico né, onde o filme teria que estar bom também, a revelação teria que ser correta, enfim, qualquer passo errado e tudo poderia se perder facilmente... Mas, eu ia saber se deu tudo certo quando? Somente quando tudo estivesse revelado e digitalizado e no meu e-mail (haha) - ou seja, dias depois.

Claro que a gente tem uma noção se a câmera tá ou não respondendo bem, se o filme tá rodando, se a exposição tá correta... até onde dependia de mim, eu sabia que tava tudo ok, mas é o famoso "só acredito vendo" - mesmo porque eu tive que enviar ainda os filmes para outra cidade, via Correios, ou seja, mais um caminho onde algo poderia acontecer - mesmo nunca tendo acontecido nada.


Dito tudo isso, tudo correu bem durante a gravação do clipe. Fui fazendo meus clicks tentando registrar os momentos que eu julgava importantes, tentei captar um pouco de tudo. De cenário à cenas importantes do videoclipe e também um pouco de bastidores. É meio complicado quando você é a única pessoa que tem que fazer tudo isso sozinho, pois são pensamentos diferentes, linguagens diferentes e ao mesmo tempo ainda tem a preocupação maior que seria a última coisa do dia: a capa. Claro que uma coisa sempre fica com menos conteúdo, mas faz parte do jogo... eu costumo priorizar algumas coisas que julgo mais importantes e faço essa divisão na minha cabeça.


No fim das contas, depois da última cena do clipe e depois de todo mundo já estar comemorando o fim das gravações, surge o momento mais esperado por mim - e para desgosto da grande maioria do set que nem imaginava o que estaria por vir - a sessão de fotos! "Ninguém desmonta nada!" - eu disse. (mentira, dava pra desmontar muita coisa, menos a mesa e umas iluminações).

Acabei usando a luz do clipe mesmo, movimentei dois leds (o frontal tinha um octabox com colmeia) e o do contra, se não me engano, era apenas com um softbox. Tentei usar a mesma luz do clipe para não fugir muito da linguagem, manter algo próximo.


Como já era o fim, tinha bastante movimento na sala, todo mundo andando de um lado para outro, desmontando tudo, e aí tentei ser o mais breve possível (mesmo porque eu já estava lá fazia 14h - não só eu, como muitos outros também). Pedi pra reduzir um pouco o peso da maquiagem, pois pra mim tava carregada demais da última cena do clipe, e eu acho que pra capa ficaria muito pesada, pedi para tirar a marcação das olheiras e acho que funcionou bem. Fui intercalando as câmeras e os formatos, para poder garantir toda e qualquer expressão - mas como disse, queria que o resultado final saísse daquelas 15 fotos que eu tinha da Mamiya... e enfim, o fim chegou.


Todo mundo cansado porém feliz, acho que no fim é onde a gente vê a adrenalina descendo e o cansaço de fato tomando conta do corpo. Meus pés já não sabiam mais por onde pisavam, mas a sensação era de mais um trabalho finalizado - porém, com aquela vontade de poder ver os filmes revelados e digitalizados no meu e-mail o quanto antes.

A capa/arte tinha que ser enviada até no máximo (estourando) dia 5 para as plataformas de streaming, e até lá - mesmo com todos os arquivos digitais já entregues - ainda esperávamos os resultados dos filmes, pois eram eles que teriam de fato a estética que eu gostaria. E deu tudo certo! Eles chegaram dia 4 pela manhã, fiz a seleção e logo já encaminhei para a gravadora com a sensação de trabalho concluído - apenas esperando que eles gostassem daquilo e comprassem a estética que eu estava em mente - e assim foi... deu tudo certo! Um salve pra quem fez o design da capa também (não sei quem é, foi mal), porque teve que alterar tudo correndo aos 45 do segundo tempo com toda certeza.


O mais louco de tudo isso é que hoje em dia você bate o olho em uma capa de um single / disco ali na sua plataforma de streaming e nem imagina que aquilo pode ter dado tanto trabalho, nem imagina que história que tem por trás e tudo mais. Claro, nem todas tem, já fiz capas em questão de minutos e sem muita história por trás, mas acredite, a grande maioria tem muita gente envolvida, muitos palpites, discussões, pensamentos e afins.


Agora como o assunto encerrou... seguem aí algumas imagens exclusivas, inclusive da capa sem a arte (a com a arte final você procura nas plataformas de streaming e veja com seus próprios olhos). Ah! e não disse né? Mas foi um belo dia ao lado de grandes amigos, e uma coisa que eu pude fazer foi voltar a fotografar dois caras exercendo suas funções (Di e Dani), assim como eu estava acostumado a fazer pelos palcos desse Brasil todo durante seilá, 12 anos da minha vida seguidos! Foi um dia bem especial... Obrigado Vitor e equipe, Gabi Bonadio, Midas, Henrique (diretor do clipe) e Fabi, Settefilmes e toda a galera envolvida nesse trabalho. Assistam ao clipe também e entendam um pouco isso tudo de outra maneira.



Mamiya 645 PRO - Filme: Kodak Portra 400 - Lente: 80mm 2.8 (Foto da capa do single)

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

Canon EOS 1000FN - Filme: Fuji X-TRA 400 - Lente: Sigma ART 35mm

Canon EOS 1000FN - Filme: Fuji X-TRA 400 - Lente: Sigma ART 35mm

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Mamiya 645 PRO - Filme: Kodak Portra 400 - Lente: 80mm 2.8


Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Canon EOS 1000FN - Filme: Fuji X-TRA 400 - Lente: Sigma ART 35mm

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT30 - 23mm 1.4

Fujifilm XT3 - 56mm 1.2

OBS: pra galera que faz parte do meu canal do Telegram, lá tem um vídeo especial mostrando um pouco mais sobre as câmeras que usei, filmes, lentes e tudo mais - só clicar aqui e se inscrever também!



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